Nos dá medo pensar?

O ser humano teme o pensamento mais do que teme a qualquer outra coisa do mundo; mais que a ruína, inclusive mais que a morte.

O pensamento é subversivo e revolucionário, destrutivo e terrível. O pensamento é inclemente com os privilégios, as instituições estabelecidas e os costumes cômodos; o pensamento é anárquico e fora da lei, indiferente à autoridade, descuidado com a sabedoria do passado.

Mas se o pensamento há de ser possessão de muitos, não o privilégio de uns tantos, temos que nos haver com o medo. É o medo que detém o ser humano, medo de que suas crenças entranháveis não resultem ilusões, medo de que as instituições com as quais vive não lhe resultem daninhas, medo de que eles mesmos não resultem menos dignos de respeito do que o haviam suposto.

O trabalhador vai pensar livremente sobre a propriedade? Então, que será de nós, os ricos? Os moços e moças jovens vão pensar livremente sobre o sexo? Então, o que será da moralidade? Os soldados vão pensar livremente sobre a guerra? Então, o que será da disciplina militar?

Fora o pensamento!

Voltemos aos fantasmas do preconceito, não estejam a propriedade, a moral e a guerra em perigo!

É melhor que os seres humanos sejam estúpidos, amorfos e tirânicos, antes que seus pensamentos sejam livres. Posto que se seus pensamentos fossem livres, seguramente não pensariam como nós. E esse desastre deve se evitar a todo custo.

Assim argumentam os inimigos do pensamento nas profundezas inconscientes de suas almas. E assim agem as igrejas, escolas e universidades.

 

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