Sobre o que ameaça os pantanais
O que hoje ameaça os pantanais como ecossistemas são as grandes atividades produtivas. O eixo do assunto não é o debate, como alguns querem fazer crer entre “produção sim” versus “produção não”, mas que passa por quanto produzimos e como. Às organizações ecologistas nos costuma apelidar de estar contra que se produza, mas não é assim. Nós queremos que se produza, e que se possa fazer daqui a 100 anos, isto é, que o negócio seja sustentável, em termos econômicos, mas também sociais e ambientais. Se exploramos o pantanal e depois se inundam as comunidades próximas, isso não é sustentável. Se suprimimos o pantanal e não podemos dar continuidade aos ecossistemas que vivem neles, vamos ficar sem os serviços ecossistêmicos que nos proveem, que são milhares e que são os que tornam possível a vida.
Federico Pellegrino
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Sobre o impacto do negócio financeiro agropecuário
Antes, uma empresa era um negócio familiar de muitos anos e a família tinha interesse na conservação da mesma e de seu território. Seja um campo ou uma fábrica. Quando tudo fica nas mãos de negócios financeiros, isso muda, o negócio financeiro compra ou aluga esse território, produz o máximo possível e quer o máximo lucro. Fazem estudos inclusive em nível político (quanto pode durar um governo que lhes seja favorável, por exemplo). Aplicam, como na mineração, uma política extrativista ao máximo. Querem os lucros no menor tempo possível e como fica o território, não lhes importa. Distinto é se você compra uma chacarazinha, e se dedica a isso. Então vai averiguar qual o melhor fertilizante porque não quer contaminar o povoado onde vive, por exemplo. Mas os capitais financeiros têm outra lógica. Não é que não saibam o que fazem, contam com informação climática, dados de organismos governamentais sobre como vive a evolução da umidade do solo, etc., mas a longo prazo não lhes importa. Por isso é necessária uma legislação adequada e um compromisso de controle para lograr a sustentabilidade.
Roberto Kokot
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Sobre Funes, o memorioso
Funes não só recordava cada folha de cada árvore de cada monte, mas cada uma das vezes em que havia percebido ou imaginado. Suspeito, inobstante, que não era muito capaz de pensar. Pensar é esquecer diferenças, é generalizar, abstrair. No abarrotado mundo de Funes não havia senão detalhes.
Jorge Luis Borges (citado por Sergio Zabalza)
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