Mensagem dos Editores

O refluxo neoliberal

Não é casualidade, mas causalidade, que, quando se desmascaram os tremendos impactos sociais e ambientais provocados pela desaforada concentração da riqueza, tenha aparecido um refluxo neoliberal em quase todo o …

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Compreensão amordaçada

O tremendo processo de concentração da riqueza que prevalece no mundo (62 pessoas concentram a mesma riqueza que 3,60 bilhões de pessoas) castiga imensas maiorias mantendo-as na pobreza ou fazendo-as retroceder a níveis de vida e direitos esforçadamente adquiridos, destrói impiedosamente o meio ambiente por sua irresponsável ação depredadora, mina a coesão social e agudiza antagonismos entre países, entroniza a cobiça sem fim e o egoísmo de só atender o próprio sem considerar as aspirações e os sofrimentos dos demais. Neste contexto, o desassossego se expande explosivamente em múltiplas direções. Não é causalidade que essa lava de fúrias e frustrações não se focalize em transformar as diversas modalidades que o processo concentrador tem, se não o único sem dúvida dos maiores responsáveis pela comoção e instabilidade contemporânea. Ocorre que os que se apoderaram do timão da marcha global conseguiram implantar mecanismos para desviar o potencial transformador de modo a que não afetem seus interesses e privilégios. Esses mecanismos constituem um poderoso arsenal para manipular e domesticar a vontade popular: combina meios dissuasivos (o poder de impor e de reprimir) com meios de alienação e desorientação (colonização das mentes, banalização da vida e alienação de condutas). A capacidade de compreender o que acontece está perigosamente ameaçada. Os artigos deste número de Opinión Sur, Da desigualdade à instabilidade, Os acabadores e A bomba atômica e os jogos olímpicos, convergem sobre o desafio de compreender críticas instâncias de nossas realidades. Cordiais saudações,   Os Editores

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Nosso mundo e o das elites

Elites empresariais, políticas, midiáticas e judiciais se apoderaram do timão global e de muitos governos nacionais, consagrando dois mundos superpostos: o dessas elites e o das enormes maiorias populacionais. O mundo das elites comete infinidade de atropelos que castiga sem piedade os vulneráveis, destrói o meio ambiente e suga valor gerado pela humanidade em seu conjunto. Para lográ-lo, submete as maiorias econômica e culturalmente; apodera-se de recursos estratégicos que condicionam as trajetórias e coloniza as mentes para esterilizar resistências. Se acaso isso não resultasse insuficiente, as elites têm o poder de desestabilizar até destituir democráticos governos de base popular. O desafio que muitos assumimos é o de transformar desde a política esta ordem imposta sobre as costas da população mundial. É uma trilha difícil mas imprescindível de encarar. É uma marcha morro acima plena de obstáculos como os acordos internacionais que as elites tratam de impor em negociações ocultadas da opinião pública, com a imposição de políticas públicas que procuram manter, o mais fracas possível, nossas defesas diante da eventualidade de novas crises globais, como também resulta de ignorar uma diversidade de heróis coletivos que brigam cotidianamente para restituir maiores espaços de vida. Estes são os temas que encaramos este mês, identificando problemas e esboçando possíveis cursos alternativos de ação. Cordiais saudações,   Os Editores  

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