Uma outra globalização

Fala-se da globalização que predomina no mundo como a única possível, um processo “natural”, inevitável e irreversível, o qual não é certo. Esta globalização resulta funcional a grandes grupos de poder econômico em busca de estender seus interesses mais além das fronteiras nacionais. Existem outras opções que vale considerar.

Uma opção é resistir a globalização se entrincheirando por trás de débeis barricadas; outra passa por tentear minorar alguns de seus impactos. Não obstante, uma opção que não aparece nas agendas impostas pelos dominadores é transformar a presente globalização e dar marcha a outra, orientada a cuidar do meio ambiente e servir às imensas maiorias populacionais respeitando diversidades e singularidade de circunstâncias. Esta nova globalização desmontaria o tremendo processo de concentração da riqueza e o poder de decisão, mobilizando o potencial da inteira sociedade global. Estabeleceria uma ordem geopolítica, econômica e comercial assentada na equidade e colaboração entre países e nações; uma arquitetura global que inclua uma forte tributação ao capital financeiro e regulações que impeçam seus movimentos especulativos, reduza oligopólios comerciais e indústrias bélicas, estabeleça saúde e educação universal, uma mais justa distribuição das correntes de poupança e investimento, elimine as guaridas fiscais e a tenebrosa trama de evasão tributária e fuga de capitais, que estabeleça qualificadoras de riscos sistêmicos substituindo aquelas só orientadas a proteger a pulsão lucrativa à margem de seus efeitos sociais e ambientais.  

Claro que é possível e desejável estabelecer outro tipo de globalização; com estas ou outras características. A sobrevivência do planeta e o bem-estar geral reclamam um novo rumo e um melhor e mais justo funcionamento global. Não deveria atemorizar a magnitude dos desafios a enfrentar mas a ausência de visões e propostas alternativas. Cabe transformar e transformar-nos.

Cordiais saudações,

Os Editores

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