Reflexões

Sobre um poema de amor escrito há três mil e quinhentos anos

Tenho muitos motivos de tristeza interior e exterior, como qualquer pessoa; mas isso não me faz deixar de viver esperançoso e consolado. A poesia é um grande consolo. Recordo um poema chinês, anônimo, escrito há três mil e quinhentos anos: um pastor cuida do rebanho, com um frio intenso, longe de sua mulher que está em casa e a imagina ao lado do fogo, cozinhando; no último verso, diz: Ele escuta o ruído de suas tesouras sob a noite profunda.

O fato de que esse poema tenha sido escrito há tantos anos e ainda nos emocione, quer dizer que há um tecido humano impossível de romper, uma capacidade de beleza impossível de aniquilar. Depois, cada qual com suas dores as ajeita como pode.

Juan Gelman

 

Sobre os banquetes para poucos e os muitos sem pão para servir

Uns poucos banqueteiam esplendidamente e muitos não têm pão para viver. O homem se converte em ávido e voraz. Parece que o ter, o acumular coisas, é para muitos o sentido da vida.

Francisco

 

Sobre o poder de comprar o outro

A igualdade não significa que todos tenhamos a mesma riqueza, mas que ninguém seja tão rico que possa comprar o outro nem que ninguém seja tão pobre que se veja forçado a se vender.

Jean-Jacques Rousseau

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