Reflexões

Sobre o que acontece se a política se retira

Se a política se retira (isto é, se os seres humanos abjuram da mobilização e a organização social para obter novos direitos, ou defender os que já tem; se o Estado abandona sua tarefa de inclusão), a dominação e a hierarquia – que nunca deixaram de estar aí, em espera de sua restauração – restabelecem a “ordem das coisas”, não poucas vezes através da vingança, a crueldade e o mais brutal racismo social.

Diego Tatián

 

Sobre o investimento nos mercados financeiros

A renda monopólica não se reinveste na produção, já que não há demanda. Portanto, foge para investir nos mercados financeiros. Os investimentos financeiros deste crescente excedente é a única possibilidade de prosseguir com a acumulação controlado pelos monopólios. É a chamada financiarização do sistema econômico. A expansão, desde há um quarto de século, do investimento nos mercados financeiros não tem precedentes na história. O volume de transações nestes mercados é mais de 2,5 trilhões de dólares, enquanto que o PIB mundial é de 70 bilhões de dólares. Neste sentido, a especulação não é um vício adicional, é um requisito lógico do sistema. A financiarização transferiu a 30 bancos enormes da Tríade EUA-Europa-Japão a responsabilidade principal no controle da reprodução desse sistema de acumulação.

Samir Amin

 

Sobre o ferrolho jurídico para evitar transformações

Mais além da vontade política para modificar o modelo neoliberal no México, está o entremeado jurídico construído para evitar que se modifiquem seus aspectos substantivos. Não se trata tão somente de um cadeado, mas de um sistema complexo de serralheria urdido desde as reformas aprovadas pelas câmaras, as resoluções da Suprema Corte de Justiça da Nação, o funcionamento dos organismos reguladores da economia e a assinatura de acordos de livre comércio.

Gerardo Villagrán, citando Luis Hernández Navarro

 

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