Ordem e desordem Dez teses sobre geopolítica

Este artigo é um anúncio. No presente mês de julho estará disponível um novo livro em inglês de minha autoria. Seu título é Strategic Impasse (Impasse Estratégico) e oferece minha visão sobre o presente estado de geopolítica, parte da mesma já foi apresentada em Opinión Sur. Em seguida, descrevo-a brevemente enunciando as dez teses, com a esperança que induza ao pensamento crítico.

Condenado se o fizer, condenado se não fizer. Em assuntos internacionais, este dilema pode se chamar impasse estratégico. Por que as potências ocidentais e, em particular, os Estados Unidos, se encontram nesse apuro? O que previne a potência mais poderosa de levar adiante sua própria vontade sem se importar com a oposição de outros atores?

O livro examina a geopolítica com as lentes da teoria social e a pesquisa social. A primeira parte analisa a incapacidade das potências ocidentais para por em prática as iniciativas internacionais de sua escolha. O que e quem o impede? A Europa e os Estados Unidos parecem incapazes de manejar e mitigar os desafios inevitáveis e prevenir os evitáveis.Começando pelo Ocidente e usando reflexões históricas e comparativas sobre prévios episódios de “perder o centro”, o livro explora o desacoplamento de sistemas políticos das preocupações da cidadania e o desmonte das elites. Explica a distração dos líderes com respeito aos desafios geopolíticos na Europa e nos EUA e o paralelo desenvolvimento da sociedade civil: uma mescla de distração rotineira e protestos intermitentes. Conectados entre eles mas desconectados aos fazedores de políticas, o paradoxo da crescente conectividade e o desentendimento coletivo põe em marcha uma dinâmica perversa entre os públicos e as elites, com um impacto muito sério nos assuntos internacionais.

A segunda parte do livro está dedicada às visões alternativas de poder e destino que estão manifestas no crescente peso geopolítico da China e os possíveis cenários de colaboração ou choque entre Oriente e Ocidente. Uma parte central é uma análise da natureza cambiante do conflito armado como uma janela a partir da qual observar o impasse estratégico do Ocidente. A pergunta que aborda é como pode ser manejado um declive incipiente e uma paralisia sobreposta. O livro termina com uma visão do impasse a partir do sul global

As seguintes teses são desenvolvidas e explicadas no livro.

Tese 1

Estamos sendo testemunhas de um rápido desmoronamento da ordem internacional de pós-guerra depois da Segunda Guerra Mundial, sem ter ainda em vista uma possível substituição. A escala dos problemas planetários demanda soluções globais e concertadas. Estas soluções estão visíveis no presente e são persuasivas mas não podem ser aplicadas.

Tese 2

A previsão não funciona porque não pode antecipar eventos. Só a formulação de cenários plausíveis ajudará aos atores a se adaptarem e manejar eventos imprevistos.

Tese 3

O golpe de misericórdia do capitalismo tardio é a perda de um contexto não capitalista. Liberado de seus próprios dispositivos triunfalistas é provável que se autodestrua.

Tese 4

Tal como o capitalismo completo tende a sua própria destruição, o mesmo acontece com os sistemas que buscam substituir sua raiz e ramos. Articular um novo sistema misto, com uma hierarquia específica de componentes e uma apropriada sequência de políticas será uma tarefa para o futuro.

Tese 5

Quando uma hierarquia social perde credibilidade e uma racionalidade convincente, é provável que seja derrotada.

Tese 6

Com o avanço da tecnologia, a manipulação das mentes é tanto extrema com interpessoal (participativa). A alienação total se converte em uma nova forma de falsa subjetividade.

Tese 7

O ocidente reinou por três centúrias mas sem unidade está colapsando e seu propósito desintegrando. Este declive que se havia mantido silencioso por bastantes décadas. Se transformou em estridente agora. Tentativas de reviver o passado são só o gemido de grupos que a história está a ponto de lhes passar por cima.

Tese 8

Como pontos de comutação em uma rede ferroviária, algumas decisões têm consequências a longo prazo que se tornam claras somente em retrospectiva. Não obstante, sobre a base de experiências passadas, é possível avaliar as implicações que estão mais guiadas por emoções que por um firme discernimento. A atual onda de populismo nacional destruirá a escolha estratégica nacional. Isto leva à democrática autodestruição das democracias.

Tese 9

A correta estratégia consiste em duas opostas e simétricas regras de evasão. Uma é evitar uma ação militar precipitada. A outra é evitar a prolongação do conflito. Estas regras são tão antigas como a geopolítica e a própria arte da guerra. Podem ser ignoradas com um altíssimo risco para os Estados e blocos de Estados.

Tese 10

Salvo por uma guerra catastrófica, as potências orientais emergirão do presente descalabro geopolítico como garantidoras de uma ordem internacional diferente. Em um novo concerto de nações e regiões, o Ocidente se lhe permitirá ter um papel importante mas secundário.

 

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