2018 pode ser

Cada ano novo, a fantasia de mudanças desejadas ou sonhadas pode inspirar despertares para mudanças possíveis. As mudanças respondem a perguntas. Uma pergunta que se repete por séculos é como podem certas poderosas minorias submeter enormes maiorias para alcançar preservar inauditos privilégios; privilégios sustentados sobre as espaldas dos oprimidos. Não faltam explicações.
Onde reside o poder de uns poucos para se imporem a uns muitos?
O privilégio sempre contou com força repressora para obrigar, silenciar ou eliminar reais ou eventuais resistências. Hoje também dispõe dessa força e a ativa ocasionalmente para amedrontar, causar medo, conter reações. O resto do trabalho de submissão se realiza moldando nossas subjetividades, isto é, introduzindo em nossas personalidades valores e sentido comum facilitadores da submissão. Hoje, como ontem, se viabiliza culturalmente a dominação. Através do controle midiático, educativo, judicial, das usinas geradoras de ideologia, se estabelecem princípios ordenadores da vida social alijados de transformações de rumo e de outras formas de funcionar. Fragmenta-se o tecido social, se enaltece a banalidade do consumo, se inocula nas mentes que cada um luta por sua conta, possui segundo próprio mérito, goza de prazeres sem fundo, aqueles incapazes de serenar o desaforado, os que nunca satisfazem quando o instantâneo cede. Emerge a cobiça sem fim, a indiferença dos demais, se naturaliza o pisar cabeças.
Será que tudo isso e tanto mais vem com a natureza humana, é inamovível, não existem outras opções de vida social e individual?
Depende, é uma resposta possível. Se se alenta o sombrio e se renovam escravidões externas e internas, pois então mais e mais do mesmo seguirá agoniando a humanidade e o planeta. Em troca, se alentamos o melhor dos seres humanos, se construímos para todos sem deixar olvidados ou castigados nossas espaldas, se possibilitamos que a coragem vença os medos, se, em lugar de asfixiar, nos dermos as mãos, se pensamos não só o que desejamos mas todos os “porquês” de cada ação, se mudamos soberba por generosidade, rancores por entendimento, se avançamos incessantemente em esclarecimento e organização popular, então sim, abriremos outras trajetórias de maior sentido e significação. Quando, como e com que lideranças, questões que vêm associadas.
2018 pode ser.
Cordiais saudações.

Os Editores

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