Opinion Sur Joven

Nº46

O mar e o clima.

Mudança climática: como afeta aos oceanos.

Fevereiro de 2009, por Daniel Galvalizi

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Mares e oceanos representam 71% da superfície da Terra e 35 milhões de pessoas dependem da pesca. Mas não a atmosfera não é a única vitima do efeito estufa. Os mares absorvem dióxido de carbono, danificando aos peixes e as plantas. Além disso, esse fenômeno faz com que esteja aumentando a temperatura em algumas regiões. Dois especialistas analisam como a ação do homem também esta destruindo os oceanos.

Desde criança percebíamos ele como se fosse gigante, imenso. Conhecimos “o horizonte” graças a essa linha infinita que ao longe marcava o seu virtual final. Azul profundo, turquesa transparente ou verde marrão são algumas das diferentes caras, embora sempre seja o mesmo: o mar, aquele protagonista de tantas férias, historias e contos; tão vital quanto onipresente. Os mares e os oceanos representam 71% da superfície da Terra (uns 360 milhões de km²), e são uma fonte de recursos biológicos e naturais, inclusive superior aos bosques tropicais. É um regulador essencial do clima terrestre, um recurso econômico, canal de transporte e uma reserva de fontes energéticas. Um 40% da população mundial vive a menos de 60 km da beira e 35 milhões de pessoas dependem da pesca. Mas hoje o mar está ameaçado e não escapa aos problemas resultantes do aquecimento global. A sua temperatura pode aumentar e isso tem um efeito dramático sobre o planeta. Os oceanos são fundamentais para absorver dióxido de carbono, evitando que ele fique concentrado na atmosfera, o que faria com que aumentasse a temperatura da superfície.

Carbono, acidez e desertos

“O oceano está aquecendo: tanto na superfície quanto nas profundezas está mais quente do que há 50 anos”, falou a Opinião Sul Jovem o diretor de Pesquisas do Serviço de Hidrografia Naval argentino, Alberto Piola, além disso ele é pesquisador do Conicet e professor da Universidade de Buenos Aires. Do aumento total de dióxido de carbono na atmosfera, gerado por motivos naturais e pela atividade humana, uma parte fica na atmosfera e o resto é absorvido por outras partes do sistema, como o oceano. Isso é chamado por Piola de “efeito geoquímica” : “Essa absorção modera o clima, porque se todo estiver na atmosfera teríamos o dobro do efeito estufa”, explica Piola. O principal agente pelo qual a água absorve o dióxido de carbono é o [fitoplancton], que é o nome técnico das algas e plantas aquáticas. “O problema é que quando o oceano aumenta a concentração de dióxido de carbono, aumenta a acidez da água e isso danifica a organismos como ameijoa, mexilhão e crustáceos e afetando aos corais”, fala Piola. A acidez na agua prejudica a biodiversidade em regiões tropicais e pode trazer a desaparição de algumas espécies. Segundo trabalhos de pesquisas apresentados num colóquio organizado pela Comissão Oceanográfica Intergovernamental (COI) da UNESCO, esta alteração do grau de acidez poderia transtornar as redes tróficas marinhas (cadeia alimentar) e alterar a composição biológica, geológica e química dos oceanos. Essas alterações podem inclusive derivar nos chamados desertos submarinos. Não somente na superfície continental os desertos se espalham pela desertifição e desmatamento, mas também a crise é mais grave… tão grave que atinge ao fundo do mar. Como nas águas há menos oxigênio, o fitoplancton termina realizando o processo oposto a fotossínteses e oxida a sua matéria orgânica, apodrecendo-se no mar. “Quando a água tem níveis baixos de oxigênio os peixes morrem. É uma situação dramática”, fala Piola. Acontece especialmente em regiões onde são jogados lixos de esgoto orgânicos, que funcionam como alimentos destas plantas, que pode se tornar uma praga. Isso acontece, por exemplo, na desembocadura do rio Mississipi no Golfo de México ”, adverte Piola.

Com a água até o pescoço.

Marcos Sommer é doutor em Ciências Naturais e militante ativo de Oceanógrafos Sem Fronteiras, ONG que promove criar consciência sobre a saúde dos mares . “80% do calor absorvido pelo planeta vai parar aos mares. Por causa disso, qualquer variação de temperatura pode ter graves conseqüências porque o funcionamento dos oceanos controla de forma direta o aquecimento global”, disse a Opinião Sul Jovem. Por outro lado, adverte que “60% da responsabilidade pelo aumento do nivel do mar tem a ver com o aumento da temperatura”. Isto é, que a água quando se aquece, se espalha e aumenta. Claro que são somente milímetros, que quase não se percebe no dia a dia. Portanto, não somente temos o problema do desgelo das calotas polares, mas também o simples aquecimento global empurra as fronteiras marítimas. Sommer -de nacionalidade argentina e atual residente em Kiel, Alemanha- fala que na atualidade o Gelo do Ártico é a metade de grosso que faz 30 anos e a área que cobre a camada de gelo comprimiu-se 10%. Se o desgelo continuar, poderia não houver mais gelo no 2070. Qual é o problema do desgelo, além de que nossas cidades terminarem submergidas? “A água das geleiras é doce e quando ele se misturar com a água salgada o oceano perde-se. Para recuperá-la teria que se fazer um processo muito custoso.

À pesca

A sobre pesca é outro dos problemas que afeta a nossos mares. “Quase 80 % das reservas pesqueiras dos oceanos são extraídas até o seu limite biológico, a pesca de arrastão é daninha e destroem os habitat para a reprodução”, fala Sommer, ele tem certeza que a velocidade e quantidade de pesca é três vezes superior à velocidade de reprodução de peixes. Hoje a indústria pesqueira fica com 34.000 milhões de dólares por ano e oferece emprego a 150 milhões de trabalhadores no mundo, portanto é difícil combater esse problema. Nesse sentido, Sommer considera que o mundo deveria refletir de novo a forma em que é medido o crescimento econômico. “Durante muito tempo as prioridades de desenvolvimento centraram-se em que a humanidade podia extrair dos ecossistemas, sem pensar demasiado sobre como afetava isso a base biológica de nossas vidas”. Porém, quando se fala sobre como as coisas podem melhorar, ele faz destaque na sociedade civil. “Deve exercer cada dia com maior força e profissionalismo uma pressão democrática para que todos nós possamos viver num meio ambiente realmente sustentável”. Os governos por se mesmos não vão fazer isso , é claro.

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